quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Trajeto Temporal II

Trajeto temporal II

Quando a fênix já sem vida

De vida partida

Pena, condoída

Que sina

Terá dito, é saída

É a vida

Nada de sobrevida

Dirá por fim, é tempo de ida


Então, eu fugindo

De mim

E por mim

Batida forte, inabalada

Novo chão, nova estrada

Preciso ser por mim

Afinal, depois de um fim

Afinal...


Afinal, nada mal

Bom, por sinal

Sem choros, sem querelas

Um hiato, um tempo

Ainda de choro

Sentido, apenas

Serão penas

Chorarei


Chorarei

Obstinarei

Fraquejarei

Rezarei

Benzerei


E seguirei

Para trás olhando

Ainda orando

Paredes tateando

Portas margeando

Meu colo dando

Sôfrego por um anjo

Pequeno, lindo e frágil

Meu anjo

Minha anja

Meu, minha

Meus.

Por favor, sem adeus

Tudo bem,

Tudo por Deus.

Põe tua benção, Deus.


E o horizonte por-se-á bem perto

Trazendo vida, não deserto

Isso é certo

Um termo de acerto

Decerto


E separarei vidas minhas

Conseqüências

Causas

Cadafalsos

Dúvidas, dívidas e créditos

Tudo num pacotinho


Amores

Exaustão

Paixão

Promessa

Agarramento, viramento

Tudo bonitinho


Disso nasce um amor ?

Um pendor

Um andor

Em meu peito

Em nosso leito

Tudo feito

Perfeito


Mas


Ainda, então

Calunias levantarão

Do passado lembrarão

De meu caminho

De pergaminhos

De cartas bobas

De juramentos falsos

De um tempo arruinado

De meu crime acabado


Mentira é o passado

Mentira não pode ser o futuro

Já nem tão imaturo

Então conjuro

Conjuro, conjuro


Onde estou se fugi

Lembrei.....

Estou fugindo

Mas algo me faz parar

Pensar

Sem andar

Lembrar

Sem aparar

Esse é o lugar

Mais devagar

Mais...

Vagar

Vagar na mão

Está aqui


Santa, deusa

Neuza

Cleuza

Edileuza


Escureceu

Vai passar...

Um pouco de medo,

Um arvoredo

Será, disse, um folguedo.

Sentei no chão

De folhas molhadas

De pensamentos ressecados

De uma grande floresta

Finlandesa

Dinamarquesa.

Por aqui ficarei

Uns dias

Como que uns dias

Como nos sonhos

De meus sonos

De teus sonhos


``...ainda fugindo ``



Teobaldo Mesquita

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Trajeto Temporal I

Trajeto temporal - I



Sem tempo vejo o tempo

Vai-se e fico

Digo: maldito, e

Faço um retempo


Passaram por mim

Os anjos fizeram fila

Marcaram um fim

Viram, afinal, um arlequim

Nada de tão ruim

Então fico assim

Porque sempre foi assim


Lodo, lama, ameaças,

De mim,

De mim para mim

Nada, nem nunca será o fim


Julgo-me traído, incauto

Por isso é fato

Que vivo na lama

Ora na cama

Na cama da dor do amor

Do que se foi e do de agora

Que já não tem mais hora

Fica assim por hora.


A fênix

Espera-me

Reza-me

Benzo-me

Corro e volto

Não quero isso

Afinal o que é isso...


Forte fênix espera-me

Luto de novo, incauto

Mentiroso o novo fato

Por fim é tudo mentira.

Vou morrer

Matei centelhas de vida

Fiz jazer centenas de sonhos

Estou exausto.


Me dá o pão, senhor

Justo, e que é pouco

Sei, pensa, sou louco

Ainda guardo lembranças

Das velhas andanças

Serão suas nuanças

Serão suas sentenças


Matarei todas as vidas

A passada

A de agora

Vou correr e tentar viver

Mesmo sem pão


Sem pão, sei lá se me querem

Ofícios mortos

Apenas a pena

A poesia

Da alma a maresia

Será, sou filho de Jeremias ?


De Jeremias de Isaías

Da nação da canção

Escrevo a oração

Dá-me pão

No mais, seu perdão

Não quero mais, não

Por hora, não.

Falaremos adiante, então.


Corredores, pilastras

Anotações devassas

Devastadoras desgraças

Vejo tudo

Engulo

Um ângulo

Um maldito êmbolo


Meu oficio, o sono

O amor, enfado

O labor, um fardo

Quero água para dar

Caminhar para alcançar

Dar-lhe-ei, pobre senhor, meu lugar

E mais tudo de meu lugar

Para tudo grassar

Dá-me a paga, à pagar.

A valer

A receber

É um pouco tudo

É justo !


Entao a fênix já sem vida

Será, parece, a partida

Os braços de nova vida

Desconhecida, nova, agora parida


E entao


Fugirei....

Amor, pendor, sonho, encanto, acalanto, perfume, recanto, reconhecimento, calor...


Estou fugindo...


Suor, medo, ânsia, pressa, graça, desgraça, persecução, miragem....


Onde estou ?



Teobaldo Mesquita

domingo, 3 de janeiro de 2010

A profilaxia da Globo.

A profilaxia da Globo


Passado um grande tempo em que me excitava com os ataques de Leonel Brizola à Globo, e mais recentemente ao legiferante Bob Jefferson, homem de microfone e de bílis bem controlada, passei a analisar a Tv do Brasil – e, aqui falo como se essa fosse a Tv do Brasil - , com olhos e ouvidos de quem se passa por um antropólogo e um sociólogo. Veja lá a pretensão.


Que há com a bílis de Bob....Ele lá tem bílis....É um garganta dos bons que proferiu no púlpito da Câmara um dos discursos mais esfuziantes e tensos do século atual, para que fiquemos no menos. Meu Brasil, o meu....detesta Zé do Sarney, mas passa inevitavelmente por Bob e Colllor. Fui às lágrimas com os verbos de Bob, que falou e esbaldou-se como quem estivesse frente a um tribunal de exceção. Nada se compara àquilo. Foi o máximo, o drop da política malandra. O cara merece muito. Jamais a Presidência. A Presidência é bobagem. Merecia coisa melhor. Isso que é um Rufião de verdade.


Eu não vejo televisão. Detesto essa máquina, obsoleta, nojenta, e que me subestima ao nível máximo abaixo do solo. É indescritível para mim o nojo e a repulsa que tenho da televisão e de sua pouca inteligência.


Eu rio às pampas quando vejo a Globo na Record. Incrível como se copia uma merda e se enlata a mesma para jogar na cara desse nosso povo submisso, passivo, sem sangue e pobríssimo de espírito. Como dois médicos, um alopata e outro homeopata, prescrevem a mesma profilaxia ao paciente demente de letras e de raciocínios.

Mas vê lá. Essa profilaxia da Globo se subdivide em dois meandros ziguezagueadores. Um, fala ao governo. Fala e renegocia dívidas, e quem sabe apaga juros e multas, e se preciso chama à pua. Quem duvida disso ? O outro meandro faz a alegria da “”galera”” . A decadente sociedade carioca na novela das oito, que na verdade vai ao ar as nove, e tudo é uma grande jogada para se ver o comercial do Itaú no jogo. Acho que a Vivo também está lá....Tudo bem que comércio é comércio. É da livre iniciativa. Mas burro é quem se engana com aquele “” Aqui, você tem educação”” .


A Globo perdeu-se. Não em dívidas. Essas até onde sei estão bem controladas. A Globo perdeu-se em não inovar e em insistir com estereótipos danosos, como dizem, se vê no final da tarde com a eterna noveleta “” Malhaçao”” . Pô.....mudem o nome, ao menos. Até os ginasiais estão enjoados daqueles boyzinhos, mauricinhos, patricinhas e meninos maus como contraponto do enredo. Enredo ? Quem come quem ?

A chorona é a sempre lindíssima Renata Sorrah, mas a perua impagável é a insuportável Suzana Vieira. Pelo menos os meus ouvidos não suportam mais aquela agudeza deplorável. E essa novela dos indianos ? Não vi nenhum capitulo – em que pese meu ídolo de telas, Lima Duarte estivesse lá - , mas como lá em casa todos educam-se às custas da Globo, acabei por perceber um fio daquela bobageira toda. Do primeiro ao ultimo capitulo, parece que o que se viu não foi um enredo, uma historia indiana, mesmo que no Brasil, mas uma aula didática de como ser indiano, de como conquistar um indiano ou uma indiana. E de como as castas, e blá, blá, blá... É o mesmo que você servir café da manha ao seu filho de 8 anos e dizer para ele TODOS OS DIAS, que o café não é colombiano, mas brasileiro, e que é uma bebida estimulante, descoberta não sei por quem, e que se serve acompanhada de algumas torradas e ovos fritos. E que nossos papais nos ensinaram isso.


Nem novelas a Globo sabe mais fazer. Mas que isso importa ? O importante é a manipulação, porque enquanto se entretém um povo trabalhador, ele não tem tempo de educar-se, de ler, de saber mais. Eu sei que isso, todo mundo já disse, mas eu também tenho o direito de falar.


Não vale a pena falar mais disso.


Vou ler meu Dostoievski.


Ah...esqueci. Quando você estiver didaticamente contando a historia do café da manha ao seu filho de 8 anos, uma câmera focará a marca da xícara, do queijo, e se seu filho for um mocinho dócil e bonitinho, haverá um pederasta interessado nele.



Teobaldo Mesquita

teobaldomesquita@uol.com.br

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Águas de Sao Miguel

Águas de Sao Miguel

Na segunda-feira passada caiu um caldo de água por aqui. Encheram os rios, transbordaram os córregos, a pista foi invadida e várias casas foram inundadas. Eu vivi isso de perto desde pequeno, porque morei na parte baixa da cidade. Aliás vivi por lá a maior parte de meu tempo. E quando eu era pequeno, quando menino, as coisas eram piores, o aspecto era devastador, porque as dragagens dos pequenos rios só começaram na década de 80.

Como era de se esperar logo surgiram pessoas com soluções no bolso. Todas com palpites arriscados, sem medo de errar. Eu pensei....E se fizéssemos um duto aéreo...Não, não daria certo. E seria muito caro. E se construíssemos piscinões...Daria certo, talvez. Mas ocuparia muito espaço numa cidade que vai aproveitando todas as áreas antes inertes e selvagens.

A verdade é que as coisas já foram como eu disse, bem piores. Só que progressivamente desta vez deveria ser menos pior. Se a cada dia alguém joga uma lata velha no rio e entulha seu leito, e se a cada dia alguém desmerece as matas no entorno desses córregos, obriga os governos a contratar dragas para a limpeza deles, para o alargamento deles.

Minha pobre memória registra no período soldista a ultima dragagem do rio. Minha pobríssima memória registra uma pequena enchente no final do primeiro período soldista, em ano pré eleitoral e com adversários fotografando e filmando como solução final. Pelegos. Até hoje, pelegos de sua própria corte imaginária.

Mesmo com uma chuva de mais de 100 milimetros em poucas horas, não é demais perguntar porque não se tratou com acuro uma emenda que RIO AZUL ganhou para a dragagem do rio Curtume ? A emenda se foi e ficou o entulho dentro do rio. Sujeira, né ?

Festa da Padroeira

Se São Pedro cochilar, será uma grande festa. Tudo caminha bem nos ajustes finais para uma festa que terá traços de festa cultural, de lazer e de religiosidade pela data de 12 de outubro. Todo mundo gosta de 12 de outubro. Todos os cristãos, inclusive evangélicos, porque descansam num feriado e comemoram o dia de nossos mimosos.

Sem falar da beleza e do convite do parque, fico curioso para ver a Orquestra de Violas de Pitanga, o luau de espiritualidade e o café rural, que o Andrade tanto fala com orgulho.

Se alguém se dispõe a ler o que aqui escrevo, sinta-se convidado a vir para Rio Azul com sua família e amigos para essa comemoração, que certamente vai marcar nossas vidas.

Porque pasmem. Até padre teremos.

Quem sabe eu volto semana que vem.



Teobaldo Mesquita

teobaldomesquita@uol.com.br

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Que Doce.

Que Doce !


Esse vento do norte,
tempo de sorte,
céu de brigadeiro,
mas com vento,
no intento,
do entanto.
Casamento de viúva,
casamento de espanhol,
veio aos poucos, o sol.

Já nem tudo cinzas
Tenho visto pintas
Não são tintas
Tenho corado
Ficado corado
Vejo um rosto rosado
Parece-me, foi-se o enfado

Vento alado
Do norte da sorte
Foi-se a morte
Veio um sol
Um grande sol

Que queima, que magoa
Que magia
Que fantasia
Tempo de ousadia

Quimera
Nova era
Quisera
Muito mesmo uma nova era
Pudera
Quem dera

Queimou,
Magoou
Vermelhou
Voou
Vôo raso
Vôo fato

De fato, em mim
Novo sim
Sem fim
Enfim
Prá mim

Mereço
Benfazejo
Mereço.

Mereço
Espesso
Largo
Dado
Fácil, dócil,
Doce.

Dado e amado
Nunca fácil
Sem ser dócil
Nunca fútil
Sempre útil
Sempre doce

Que doce
Sempre assim fosse
Por mim, sempre
Para sempre
Um presente

Perene
Que fosse.
Condoído, ainda
Que fosse.
Meio amargo
Que fosse.
Escarlate vivo
Que doce.
Mel doce
Na boca
Que doce.
Longe de mim
Que fosse.
Perto de mim
Melhor que fosse.
Para mim
Sonho doce.

Que fosse,
Que fosse,
Que fosse.
Em mim, de mim, para mim, comigo
Sempre...
Sempre doce !


Teobaldo Mesquita